Apesar de ser criado como um sistema de defesa, os Fachos acabaram por transformar-se numa expressão intensa das “vivências da população da População de Machico, pois estava lhe impregnado no sangue, devido às muitas vezes que foi dado o alarme de aproximação de inimigos” RIBEIRO, (2001).
A partir do início do Séc. XIX, durante a noite, a Festa do Santíssimo Sacramento era iluminada pelos fachos, fazendo “maravilhar tudo e todos.” Em 1905, os tradicionais fachos a lenha e pinhas foram acesos “em 18 pontos dos mais salientes e elevados da freguesia de Machico (…) os quais produziram um efeito deslumbrante” (ibdem).
As formas que atualmente são expostas – a custódia, o cálice, a cruz, o peixe, as taineiras e as caravelas (VIVEIROS, 2007) - demonstra a forte ligação da população com a religião católica e com o mar. É devido a este passado comum que, a vivência comunitária é fortalecida! O povo reúne-se ao toque do búzio à hora do crepúsculo de sábado, subindo as encostas onde, durante o dia, convivem, ao mesmo tempo que vão dando imagem ao seu facho, ao som das suas cantigas. Acendendo o facho por volta das 21h, que arde durante cerca de 30 minutos, o povo desce encosta abaixo, reunindo-se todo no mar, comemorando aquele espetáculo visual com banhos de água salgada e alegria.
Esta festa repete-se todos os anos com as gentes dos Sítios da Banda d’Além, Graça, Misericórdia Ribeira Seca, Serra d’Água, Paraíso, Pontinha, Pé da Ladeira e sítio do Piquinho.
Fotos de Manuel Nicolau
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